sexta-feira, agosto 21, 2009

Bahh...

Cada vez mais rara a minha postagem de conteúdos no blog, cada vez mais rara a utilização da Internet para pesquisar e partilhar assuntos sobre as abelhas, mas essas as minhas meninas, pouca culpa têm no cartório, trabalham o que podem. No apiário do pomar estou a preparar-me para a segunda cresta, mesmo assim, pouco mais de uma alça completa por colmeia é o que me espera, o que é ridículo, inaceitável, entre outras palavras mais escandalosas.

Na semana passada houve mais uma baixa no efectivo, numa colmeia já bastante velha (reaproveitada) um conjunto de borboletas expulsou o enxame, fazendo casulos e teceu uma espécie de seda no interior da colmeia, algumas abelhas estavam mortas, prisioneiras naquele emaranhado, mas a maioria conseguiu abandonar, era um enxame novo, daqueles de Maio, só espero que tenha conseguido sobreviver noutro sitio qualquer.

Outro assunto, além do ano ter sido péssimo, claramente péssimo, rogo aos "cravas" que parem de tentar sacar o tal frascosinho de mel, ditando palavras doces, palmadinhas nas costas e sorrisos rasgados.
Epah, quando não dá... não dá!

segunda-feira, agosto 03, 2009

Menos do mesmo

Cresta na Urze 2009:
Uma desgraça.
Este ano foi uma desgraça na produção de mel, sempre que abria uma colmeia e lhe retirava os quadros sentia um aperto no coração, pouco mais de duas alças completas de mel por colmeia era o balanço inicial, foi mesmo uma produção mínima, não tenho memória de um ano tão fraco.
O Mestre Duarte já me tinha dito que este ano a coisa ia ser bastante má, nunca pensei que pudesse vir a ter razão até eu ver e sentir tudo aquilo.
As constantes gargalhadas nas crestas anteriores foram agora substituídas por simples sorrisos (amarelos) sem mínima de piada.
A culpa, essa morre sempre solteira, o ano foi fraco na floração, o frio foi até bastante tarde, gelos que apareceram sem pedir licença, neves fora de época, e para rematar os malditos fogos que pintaram de negro grande parte da paisagem.
Por fim, e já na melaria a maior parte dos bidons permaneceram intocáveis, não havia mel para lhes deitar para dentro.
Nem me deu para tirar fotografias, nem gozar do momento, só queria acabar a cresta e sair dali.

Aparte de tudo, valeu pelo convívio, a coesa equipa de sempre, deu conta do recado, apesar de termos começado mais tarde, acabamos mais cedo, tivemos um principiante, Paulo, que nem uma ferradela levou (desilusão a minha) lol, por mim não provaria o mel, lol.





domingo, julho 26, 2009

Cerificadora solar

A pegar na ideia e no engenho que o Mestre Pífano tinha no seu Monte do Mel, recorri a alguns materiais e elaborei o meu cerificador.



Uma meia alça que já tinha encostada, (era para fazer um capta-pólen) um prato de um vaso roubado a uma planta da Natália, uma peneira de rede fina e um vidro de um forno velho com a espessura de 5mm.



Foi só esperar que o sol apertasse e fizesse o seu trabalho.



Como era de esperar as impurezas ficaram retidas na peneira e a cera derretida desceu liquidificada para o recipiente na parte de baixo.



E o belo resultado, cera de abelha limpa de impurezas.



Fiquei então com uma certificadora, não homologada, nem registada, toda feita com materiais reciclados e reutilizáveis.
Um conselho, não toquem com as mãos na cera derretida e liquida, o resultado é um berro a alto e bom som.

segunda-feira, julho 20, 2009

Artista

Bem, quando se fala em artistas, há um que lhe faço uma vénia e tiro o chapéu à sua passagem, o meu amigo Zé, danado na arte do desenho. Disponibilizou o seu jeito e paciência para me ajudar a mudar a forma do apíario, embelezando-o à vista e alterando por completo a imagem que tinha. Um amontoado de caixas quadradas com vida, mas parecendo mais um bairro social, desta forma personalizo cada colmeia, com sorte e com desenhos feios pode ser que espante a varroa.
É de relevar também a sua grande ajuda no (pontapé) inicial para o rótulo do mel e pólen Ferradela, embora ainda esteja em esboço, conto em breve colá-lo nos frascos.
Quero convencê-lo a visitar o apíario, para que possa ver de perto a actividade apícola real, e que lhe dê o direito a comer mel Ferradela, hehe *que mau que sou :)



sábado, julho 18, 2009

O Tio Manel, já com alguma idade e com alguns problemas de saúde, abelhas com ele é desde jovem, uma paixão que transborda como em muitas outras pessoas, sabedoria e gosto pela arte, manuseio ímpar, feito à sua maneira, diferente de tudo e de todos, mas no final o mel lá escorre para dentro dos frascos.
Foi nas férias que lhe visitei as abelhas, só mantém algumas colmeias para matar o vício, sentir o zumbido e levar uma ou outra ferradela. Devido aos problemas que o impedem de ir mais além deposita um pouco de confiança no seu neto Diogo, numa expectativa de que o apíario venha a ser de novo a menina dos seus olhos.
Quero com isto dizer que a apicultura tradicional está a perder-se um pouco por todo o lado.
Gostava de ver o Diogo levar o apíario a jorrar litros de mel...

Visitante palmo e meio nº3

José Miguel, mais conhecido por Zé Miguel, seis anos, traquina em doses industriais. Com o consentimento da sua mãe, (Betina) decidimos ir visitar o apíario e mostrar-lhe na realidade o que são abelhas e como elas vivem.
Aproveitei que tinha de tirar umas ervas que teimam em crescer nas imediações das colmeias e, fui-lhe explicando as coisas, ele um pouco nervoso, sempre com o zumbido das meninas como companhia. A calma dele rápido passou quando lhe dei o fumigador para as mãos, lindo brinquedo lhe fui eu arranjar, parecia um índio, cada bufarada era acompanhada por uma gargalhada.
Durante a abertura de algumas colmeias tivemos pouca sorte, não conseguimos ver nenhuma rainha, nós gostamos da visita, a Natália e a Betina que ficaram longe, dizem que também gostaram (imagino), por fim o Zé Miguel deu uns belos mergulhos na piscina, já me disse que queria voltar ao apíario, falta saber se é pelas abelhas ou pela piscina.

quinta-feira, julho 02, 2009

Monte do Mel

Monte do Mel é:
É tudo o que queremos, é vida, é paz, é beleza, é tranquilidade, é abelhas, é mel, e do bom!
O contraste dos castanhos e dos verdes com o azul do céu e da água;
A brisa quente e suave;
O carinho acolhedor da recepção;
A saborosa carne assada com tempero alentejano, pena não conseguir comer mais!
O acentuado maduro tinto que a ajudava a empurrar;
É local de inspiração para poetas e pintores;
É onde todas as estrelas estão presentes no céu nocturno;
Onde os grilos substituem o buzinar dos carros;
Monte do Mel é sabedoria!
Quero ter um "Monte do Mel" para mim!!
É um local a voltar, mas com mais tempo

Amigo Pífano, Luísa, um muito obrigado da minha parte e da Natália
Ferradela espera-vos

quarta-feira, junho 17, 2009

Secador de Pólen

Este fim de semana, lá decidimos por a bendita máquina de secar pólen a trabalhar, depois de descongelado foi só colocá-lo nas gavetas e dar ao botão, mas nem tudo corria como previsto.
A temperatura em vez de manter teimava em descer, a debater o assunto com o vendedor parece ser uma má configuração naquilo que chamo excesso de funções. Um "rais parta" de um botão a dizer on e outro com a função de off era mais que suficiente, mas...
Que venha mais sol e tempo quente, vamos ver se não dou descanso à bendita.

Para a Urze

No apíario principal, tenho mais um enxame furioso para o néctar de Urze, é obséquio do Mestre Duarte, lá o colocou estrategicamente à sua maneira, eu após ter aberto a colmeia, com a curiosidade de observar o seu belo interior, deparei-me com a sua furiosidade, senti-me persona no grata, utilizei então a técnica do (Y) cinco quadros para um lado e outros cinco para o outro, quase toda a cera estava puxada e os quadros preenchidos, o que dificultou um pouco a distinção das faces da cera, durante o manuseio da colónia, senti por cima do fato uma ferradela no braço, foi na parte interna do bíceps, é uma zona mole, e causou uma certa dor, parece que a ferradela tinha sido com raiva e desprezo, sem protecção estava literalmente lixado, um punhado de abelhas, possivelmente jovens, voaram directamente contra a rede da viseira do fato, sentias embater com força, possivelmente atraídas pelo quente da minha respiração, uma coisa é certa, aquela colónia está bem protegida, aqueles caças não temem nada nem ninguém.

Para além do mel

Para além do mel, foi o tema que escolhi para narrar esta ilustração, árvores de fruto carregadas, é um saldo positivo, e são ganhos nas duas vertentes. O pomar é de perder de vista, tem uma vasta extensão, a qualidade das árvores de fruto é variada, mas em todas elas a imagem é a mesma, pernadas a apontar para o solo carregadas de fruta, a representar aquele ponto de rotura, mesmo antes de partir com o peso. Árvores sem qualquer tipo de tratamento, só com a poda de vez em quando, fazem com que a sua qualidade seja de todo superior.

Um especial agradecimento ao Sr. Manuel pelo espaço cedido.