segunda-feira, março 30, 2009

Novo, enxame, novo

A caminho do trabalho para mais um fatigante e rotineiro turno, o colega Victor fazia tocar o meu telemóvel, a noticia era que tinha saído um enxame, senti alguma pena e desaire, pois não o poderia apanhar, a não ser que ainda lá estivesse no dia seguinte, simplesmente tudo se inverteu, ele ficou disposto a assegurar-me o serviço, eu que fosse descansado e que apanhasse as feras, o seu pai Sr. Manuel, tinha já um cortiço restaurado e pronto para ser utilizado, inverti a marcha e busquei uma estrada mais directa.
Já no local aquela barba de abelhas poisada na sombra de uma ameixoeira que facilmente as coloquei dentro do cortiço com a ajuda de um banco, uma serra e umas sacudidelas, uma ferradela mesmo na ponta do nariz, foi o cumprimento do dia, senti uma dor aguda e intensa, por ter as mãos ocupadas demorei a retirar o ferrão, devo de ter absorvido toda aquela porção de apitoxina. Minha bela guerreira, bem sei que faleceste no comprimento do dever, o certo é que não te livraste de uns quantos nomes impróprios causados pela reacção do momento.
As feras rapidamente e sem cerimonias aceitaram o novo lar, vivem agora de novo naquele belo complexo habitacional, aquele belo conjunto de moradias de madeira multicolor, a rapidez da actuação foi tanta que devo de ter tirado a fuligem do cano de escape, e a chegada ao posto de trabalho teve apenas quinze minutos de atraso, foi o primeiro enxame do ano, é de tamanho médio, mas abelhas são sempre abelhas.





sexta-feira, março 27, 2009

Abelholândia

É de espantar a forma como um enxame recolhido em estado selvagem, o enxame esteve mais para lá que para cá, teve a supervisão do Mestre Duarte durante bastante tempo, este enxame sofreu e sofreu, o Mestre chegou a meter um quadro com criação, caso não o tivesse feito teria morrido, foram nove meses de soberba sobrevivência, um inverno rigoroso e uma grande ausência de floração, encafuadas num núcleo de cinco quadros com alguma cera pura, cheguei a temer o pior, ainda hoje quando falo nele, o Mestre Duarte solta uma gargalhada, só ele sabe os cuidados e trabalhos que passou com ele.
Hoje tem uma densidade populacional acima do normal, levou com meia alça sobre o ninho, aproveitei um quadro com uma realeira que coloquei numa colmeia que encontrei orfã, da mesma maneira que sobreviveu ajuda agora a sobreviver.
O amigo Zé, que no ano passado me disse onde o enxame estava, vai gostar de o ver agora, forte e saudável, feroz e assanhado, o resultado foi oito ferradelas, a que já começo a estar habituado e ao meu colega Vítor duas, para se começar a habituar.
Coloquei mais uma meia alça numa outra colónia, a alça que estava já completa de mel, ficou na parte de cima e a nova mais perto do ninho, teoria facultada pelo Mestre Pifano e recomendada pelo Mestre Duarte.
A temperatura era de 23 Graus, mas com tendência a descer este fim de semana acompanhado de ventos.


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segunda-feira, março 23, 2009

Ferateam

Recebi este fim de semana a nobre visita da equipa Ferateam, e claro, a visita pelo apiário foi obrigatória. Eu e o Fernando vestimos os fatos de protecção e respectivas máscaras, as mulheres lá atrás de um arbusto mandavam as bocas do costume, "fraquitos, fato? isso é para quem não percebe de abelhas", entre outras que agora não me lembro bem. Fiquei contente quando abri a colmeia mais forte do grupo, e vi que já tinha a cera toda puxada numa alça com uma semana e já tinha algum mel no interior, como não usamos fumo o gado ficou bravo num ápice, e aquelas pequenas guerreiras por natureza ligaram o turbo nas suas pequenas asas, bastou uns segundos e vi as mulheres, que outrora apregoavam bocas infelizes, a correr ladeira abaixo em direcção ao portão, a Natália foi ferrada na cara, a Vera na cabeça e a pobre Madalena de apenas cinco anos levou também uma ferradela na testa, a bravura das abelhas era tanta que até mesmo por cima do fato senti uma picada no braço, o Fernando não sei o porquê de ter sido poupado e ainda bem, foi menos uma abelha que morreu.
O Sr. Manuel está em restauro de um velho cortiço e de uma colmeia, está a espera que alguma enxameie, para assim não deixar fugir o enxame, mas como não tenho visto realeiras, o melhor é fazer um desdobramento.
Os 27 graus de temperatura ajudaram e muito, vem aí agora umas chuvadas, se forem poucas nem me importo.
Para breve terei de colocar mais uma alça em cada colmeia, em princípio vou utilizar a técnica do Mestre Pifano, a primeira alça fica sempre para cima e a última mais chegada ao ninho.


(Foto by Natália)

sexta-feira, março 13, 2009

Mais uma tarde bem passada

Senti esta tarde as primeiras gotas de suor, o calor apertava, parecia um dia de verão, nem uma brisa se fazia sentir, abri as colmeias para ver o desenvolvimento, espectáculo, maravilha, tudo dentro do normal, as meninas começaram a puxar os favos da cera das meias alças que tinha colocado na semana passada, já se notava o relevo do aumento nas folhas de cera moldada amarela e perfumada pelo seu aroma natural. Numa colmeia consegui ver a rainha que rapidamente se uniu sem combinação naquele transito infernal, naquela mistura de patas e asas e num instante deixei de a ver, será tímida(?) Fiquei contente, e como não as tenho marcadas só de longe a longe é que me regalo com a sua pose esguia e esbelta. Até estou a imaginar o dialogo entre elas "já cá esta outra vez o gajo, fonix, vai para as esplanadas e deixa-nos em paz", mas eu como não as compreendo, não consigo decifrar os seus zumbidos nem entendo muito bem da dança das abelhas, faço de conta que nem ouvi nenhum zumbido sequer.
O som do colectivo é de todo terapêutico... será que sofro de abelhomania?
O Sr. Manuel, hoje um pouco mais ocupado com as suas lidas, não me pode acompanhar no apiário, falta saber se para evitar uma ferradela ou não, ainda demos duas de letra como de costume, é de louvar a sua sempre presente boa disposição.



Para registo, a temperatura era de 26 graus, e a floração abundante.



Mas nem tudo são boas noticias, antes do jantar falei com o Mestre Duarte ao telefone que me comunicou que no apiário principal tinha encontrado uma colmeia morta e uma outra estava orfã e com poucas abelhas, este inverno foi bastante agreste, muito mais que em anos anteriores, e no apiário principal a floração ainda vai pelo inicio, quando são muitas colmeias fica sempre uma ou outra para tras, agora é esperar pelo desabrochar da flor.

quinta-feira, março 12, 2009

Onde as abelhas vão buscar o mel (Sátira)

Após muita insistência do meu amigo Xico vou publicar uma descoberta sua feita na Internet, a sua cultura apícola resume-se a um frasco de mel na prateleira, em que só é aberto em dias de constipação ou tosse, mas ele é bom rapaz. Até achei o triler engraçado, pena é não finalizar num vidrão.
É uma sátira em que poderia igualar aquelas pessoas que dizem que os frangos e morangos nascem nos supermercados :)

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(Filme: pesquisa by Xico)

quarta-feira, março 04, 2009

Espanta Formigas II

Aproveitei o dia de folga para adiantar umas tarefas que tinha pendentes na garagem, e uma ideia que já andava a batutar nos neurónios à algum tempo saiu e materializou-se.
O derradeiro e alucinante Espanta-Formigas caseiro e económico.

Ingredientes:
-Três tábuas à feição
-Seis pregos
-Quatro parafusos resistentes
-Quatro tampas ou qualquer coisa similar
-Tinta

Receita:
-Com as tábuas montamos uma estrutura em (H), pregamos-las nas junções, nas extremidades aparafusamos os parafusos só a deixar o biquinho de fora, desta forma fica toda a estrutura por igual e sem balançar, com um resto de tinta dasse-lhe um acabamento final, as tampas previamente colocadas de forma a que o engenho encaixe sobre elas serão então cheias de liquido.

Tempo de preparação:
-Entre 10 a 15 minutos.







O prototipo é para um núcleo, aguentou comigo sentado, não o recomendo a colmeias com meias alças carregadas de mel, a não ser que em vez de um parafusos se meta tubo inox ou qualquer material mais resistente.

terça-feira, março 03, 2009

Meias Alças

Rebentou a floração, está tudo colorido, o ninho carregado de mel e abelhas, coloquei então duas meias alças com cera nova em duas colmeias fortes, tudo isto depois de meter debaixo delas o genial espanta formigas.
Trabalhei com o fato colocado, o gado estava bravo, adoro sempre o zumbido a volta da mascara, o Sr. proprietário do terreno estava a pouco mais de três metros e foi ferrado, eu por me rir dele, quando acabei de tirar a vestimenta e a mascara fui cumprimentado com uma ferradela, irra que esta doeu, já lhe tinha perdido o tempero, ficamos assim em pé de igualdade.
Os montes vizinhos estão repletos de Urze e Carqueja, as macieiras já com flor, nas hortas das redondezas já floram as couves e as nabiças, em breve poderei meter capta-pólen pelo menos nas mais fortes.

Formigas

Não é que desgoste de todo das formigas, até vejo nelas qualquer coisa de bom, mas o furto de mel às minhas colmeias já se tornava algo sistemático, repetitivo e até abusador. Foi então que em conversa com o meu fornecedor habitual, pessoa em que deposito a minha inteira confiança, me arranjou umas peças que têm algo tanto de genial como de inovador. São em alumínio, leves e resistentes, um depósito no interior onde colocamos liquido, água, óleo queimado, vaselina, etc, qualquer coisa que evite a passagem das formigas até ao centro, é como um cogumelo invertido. Tem um cone que evita a passagem de outros rastejantes de proporções maiores, ao mesmo tempo protege a substancia colocada no interior, o cone tem um orifício móvel que facilita e muito a colocação do liquido no recipiente ao qual me esqueci de lhe perguntar o nome, caso não o tenha ainda vou chamar-lhe espanta formigas, desta forma a colmeia fica de todo separada do solo.
O preço, não é muito caro para quem tenha meia dúzia de colmeias, mas para apiários com centenas delas convém pensar noutra solução.